quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ponte Aérea (ou primeiras impressões de uma carioca na terra da garoa...)


Estou levando a vida na ponte aérea e venho acumulando sensações, algumas novas, outras nem tanto... O medo de avião é uma das velhas sensações, que me atormenta. A surpresa pela descoberta de novos lugares, a curiosidade com que absorvo as paisagens, mesmo que da janela do taxi, são novas e interessantes sensações. A magia de caminhar pela Av. Paulista (que eu classifico como Nova Iorque dos pobres) me encanta. Os atrasos constantes dos vôos me irritam. Os sabores de São Paulo me deliciam e me desesperam (como demais nessa cidade, mas vou comentar dos restaurantes depois). A leitura me acompanha no saguão dos aeroportos (tenho lido com há muito tempo atrás... mas isso merece um post exclusivo). O fato de ir ao shopping e dar de cara com uma senhorinha passeando calmamente com seu labrador me choca. As milhas acumuladas me fazem sonhar com férias. As vitrines me fazem sentir parte de uma pobreza avassaladora (no Rio não me sinto tão distante dos meus sonhos de consumo...). As frutas exóticas me dão água na boca. Os grafites me deixam admirada.

Sobre os restaurantes que experimentei, aqui vão alguns para quem quiser experimentar:
Nico Pasta & Basta (Italiano, lindo e excelente!)
Rua Costa Aguiar, 1586 – Ipiranga

Robin Des Bois (francês, ma-ra-vi-lho-so)
Rua Capote Valente, 86 – Pinheiros

Rong He (chinês, exibe a arte de fazer macarrão ao vivo. Barato e muito saboroso)
Rua da Gloria, 622 – A – Liberdade

The Fifities (lanchonete estilo anos 50, bem legal)
Shopping Eldorado (tem no Barrashopping)

Braugarten (alemão; delicioso feijão do chefe!)
Shopping Pátio Paulista (tem em vários lugares)

Quando conhecer outros, escrevo de novo. Pretendo ir ao Veloso, onde dizem que tem a melhor coxinha com catupiry! Aliás, tudo aqui em SP é o melhor: a melhor pizza, o melhor japonês, o melhor tailandês, o melhor alemão... Uma loucura!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Choro bom

Grupo Co'a Corda Toda tocando no Sacrilégio!
Acessem e vejam um pouco desse grupo incrível de choro!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Inútil e belo


Adoro ir à feira. Todo feriado que cai em dia de feira é batata. Vou até lá me deliciar com as cores, os cheiros e a simpatia dos feirantes. Converso com cada um, compro minhas fruta,s legumes, bala de coco, fava, verduras e ovos e volto sorridente para casa. Hoje cheguei em casa com uma novidade linda nas mãos: um ramo de gérberas cor de rosa. Minha filha, pragmática, logo me perguntou: pra que comprar isso? gastar dinheiro com flor! Eu expliquei que gosto de olhar para elas - as gérberas - tão imponentes e delicadas, e que elas deixam a casa mais bonita. Minha filha fez uma careta e esboçou um "ahn", como quem diz: que coisa inútil!

Não pude deixar de lembrar do prefácio d'O Retrato de Dorian Gray, onde o genial Oscar Wilde fala que toda arte é inútil. E justamente nisso reside sua magia. Minhas flores são inúteis, mas gosto de admirá-las - e aí está sua utilidade - dando um ar de casa cuidada, tipo casa de novela.
Quando era criança minha mãe sempre comprava um enorme arranjo de flores do campo que reinava absoluto no centro da sala. talvez meu desejo de gérberas seja um resgate daquela época, com a minha cara: menor, mais sutil, porém elegante e delicado. Ou talvez seja o Oscar wilde que há em mim, permitindo-se admirar coisas belas, inúteis e maravilhosas. Só sei que as flores estão aqui, resultado de mais uma manhã alegre na feira...


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Prefácio de "O retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde
O artista é o criador de coisas belas.
Revelar a arte e ocultar o artista é o objetivo da arte.
O crítico é aquele que sabe traduzir de outra maneira ou com material diferente a sua impressão das coisas belas.
A mais alta, assim como a mais baixa, forma de crítica é uma autobiografia.
Aqueles que encontram feias significações nas coisas belas são corruptos sem serem encantadores. É um defeito.
Aqueles que encontram belas significações nas coisas belas são cultos. Para esses há esperança.
São os eleitos aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.
Não há livros morais nem imorais. Os livros são bem ou mal escritos. Nada mais.
A antipatia do século XIX pelo Realismo é a raiva de Calibã ao ver seu rosto no espelho.
A antipatia do século XIX pelo Romantismo é a raiva de Calibã por não ver seu rosto no espelho.
A vida moral do homem faz parte do assunto do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito dum meio imperfeito. O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um imperdoável maneirismo de estilo.
O artista nunca é mórbido. O artista pode exprimir tudo.
O pensamento e a linguagem são para o artista instrumento de arte.
O vício e a virtude são para o artista materiais de arte.
Sob o ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é a arte do músico.
Sob o ponto de vista do sentimento, o modelo é a profissão do actor.
Toda a arte é ao mesmo tempo superfície e símbolo. Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.
Os que procuram decifrar o símbolo correm também seu próprio risco.
É o espectador, e não a vida, que a arte realmente reflete.
A diversidade de opiniões sobre uma obra de arte mostra que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Pode-se perdoar a um homem o fazer uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda a arte é absolutamente inútil.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Um pouquinho de Paulo Freire pela manhã...


"Aprender não é um ato findo. Aprender é um exercício constante de renovação"

"A educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando."

"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre."

"A educação modela as almas e recria corações. Ela é a alavanca das mudanças sociais."

PAULO FREIRE

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Para Rebecca - 2


Rebecca, querida

Ando mesmo muito alucinada, sem tempo para escrever. Além disso, tenho receio de relatar as esquizofrenias alheias e alguém se reconhecer. Agora tenho que me preocupar mais, sabe como é...

Sobre citar você, saiba que estou com muita saudade, tem tanta coisa que queria comentar contigo... Escrevi por post no meu blog porque ao ler o seu tive problemas técnicos para postar comentários, então publiquei aqui. Espero que você consiga ir ao chorinho sábado pra gente se ver!

beijos saudosos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobre Alice para Rebecca


Rebecca

Também fui ver Alice e fiquei absolutamente encantada. Eu sempre fui fã da história, li tanto sua incursão pelo país das amravilhas quanto através do espelho e inicie a leitura do país das maravilhas no original, mas meu inglês não suportou. Fiz dois cursos na faculdade sobre Alice sob um viés filosófico, com base nos estudos que Wittgenstein e Deleuze fizeram. A cada vez que lia, me apaixonava mais pela história, que de infantil não tem nada.
Não por acaso, esse foi o filme da Disney que minha filha mais viu. Ela sempre amou a história e sabe as falas de cor até hoje.
Fomos juntas ver o filme, eu e ela, mas eu me apaixonei e ela apenas gostou. Talvez por não ter as referências da outra história, que aparecem no filme. Talvez por se manter apegada ao desenho, enquanto eu já havia experimentado outras abordagens da história nos meus estudos. O fato é que destaco duas personagens em especial. Embora minha expectativa fosse o Chapeleiro, pois adoro o Johnny Dep, pra mim o personagem mais incrível foi a Rainha Vermelha. A-DO-REI aquela atriz, ainda mais com aquele cabeção! E o outro destaque, que eu jurava que seria o gato, na verdade foi para a lagarta. Achei a Alice um pouco feinha, mas perdoei... Recomendo o filme a todos!!!

sábado, 24 de abril de 2010

Partido em 5


Na década de 60 o samba era perseguido pois era visto como vadiagem. Os músicos não podiam tocar na rua, então tocavam no trem, indo para suas labutas. Com isso, só instrumentos pequenos podiam ser usados, como repique de anel, cavaquinho, pandeiro e cuíca. O grupo Partido em 5, formado por Candeia, Velha, Casquinha, Anézio, wilson Moreira e Joãozinho da Pecadora foi um dos representantes desse bom samba. Separei algumas pérolas do seu disco cuja capa reproduzo nesse post, gravado em 1975, para vocês conhecerem um pouco do samba de criolo da época, o bom pagode da massa!

"Não sei se é da natureza ou obra do destino
que mulher nasce sorrindo, cresce fingindo e morre mentindo"

"Em casa que mulher manda, até galo canta fino"

"Quem espera tempo bom é sertanejo
Não leve a mal, me dê o meu agora
Em festa de rato não sobra queijo"

"Quem vive de promessa é santo
Cobra que não anda não engole sapo
Urubu sem olfato morre de fome"

"O negócio é o amor, o resto é conversa fiada
Amanhã a gente morre, da terra não se leva nada"

PS: Descontado o machismo da época, o samba é uma delícia!!!!