terça-feira, 21 de julho de 2009

Muitas histórias a contar

Caros Aproveito esse espaço para divulgar o trabalho de uma amiga muito querida que ousou montar uma locadora de livros. Digo ousou, porque viver de cultura no nosso país é muito dificil, mas a Histórias & Estorias vem resistindo bravamente há quase 18 anos. Um sucesso! Veja o video e alugue um livro!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do Amigo

Uma singela homenagem aos meus amigos!



quinta-feira, 9 de abril de 2009

Eu sou o samba


Desde sempre gostei de samba. Meus primeiros contatos com o ritmo foram ouvindo sambinhas do Chico Buarque, que minha mãe ouvia, além de um pouco de Benito de Paula (talvez por isso eu ame Retalhos de Cetim...). Depois, por causa de uma fruta que eu amo, me encantei com as escolas de samba. Sempre fui louca por sapoti e, em 1987, quando a Estácio de Sá cantou...

Que ti ti ti é esse
Que vem da Sapucaí (bis)
Tá que tá danado
Tá cheirando a sapoti

Baila no céu a esperança
O cheiro doce e o perfume
Vêm no ar

Olê, olê, olê
Vem de terra mexicana
Mandei buscar pra você

Sacode pra colher
Do pé que eu quero ver (bis)
Até o dia amanhecer

D. João achou bom
Depois que o sapoti saboreou
Deu pra Dona Leopoldina
A Corte se empapuçou (e mandou)

E mandou rapidamente
Espalhar no continente
Até o Oriente conheceu

E hoje no quintal da vida sou criança
Me dá que o sapoti é meu

Isso virou tutti-frutti
Tutti-multinacional
Virou goma de mascar (bis)
Roda pra lá e pra cá
Na boca do pessoal


...eu me encantei de vez e comecei a acompanhar os desfiles. Na verdade, como dormia cedo, via os compactos e depois desenhava as fantasias no meu bloco de desenho e fazia uma exposição em casa, colando os desenhos nos vidros das janelas. Como artista que era, vendia meus desenhos pelos centavos da época ao meu avô e depois comprava sacolés com o lucro!

Voltando ao samba, no princípio eram as cores do carnaval que me encantavam. Ia a bailes, me acabava com as marchinhas, adorava (adoro até hoje) confete e serpentina. Com o tempo fui percebendo que meu coração batia mais forte com a bateria. O surdo e eu, em perfeita harmonia! E também não conseguia ficar parada com a batida... algo acontecia... fui percebendo que adorava samba enredo.

Foi um amigo delegado, que me presenteou com um cd do grupo Nó em Pingo d´água, que me apresentou ao chorinho. Percebi que gostava disso também, e volta e meia o cd tocava na minha casa.

Comecei então a freqüentar a Lapa e fui conhecendo outros sambas... O samba de roda me pegou, com seu jeito malandro, e toda oportunidade que tinha de ir a um show, não desperdiçava. Nem tinha muitas oportunidades, pois minhas amizades não eram muito de samba, então não tinha cúmplices...

Com o tempo, fui concretizando minha paixão pelo samba e pela Lapa, criando oportunidades de estar no Trapiche Gamboa, Sacrilégio, Teatro Odisséia, Casa Rosa, quadra da Império, da Vila... Consegui encontrar amigos que gostavam do ritmo e lá fui eu! E de tanto ir a samba, acabei namorando um sambista. E aí, o samba veio de vez pra minha vida!

Ele me apresentou ao Radamés Gnatalli, Pixinguinha e Jacob do Bandolim, que escuto sempre que estou trabalhando... Acompanho ele nos seus shows e adoro quando ele ensaia seu bandolim na minha casa... Ele me conta a vida dos compositores, a história dos sambas e grava músicas pra mim. E quando ele está de folga, adivinha o que a gente faz? Vai ao samba dos amigos dele... Assim conheci Moyses Marques, a roda do Moacyr Luz, Ana Costa, Deu Branco, e outros tantos grupos legais de samba!
Hoje meu ipod tem até pagode, que era meu ultimo preconceito. Até minha filha se espantou outro dia quando pegou meu ipod e achou uma música do Bello... eu mesma me espanto... E tem também Exalta, Pixote, Fundo de Quintal, Maria Rita, Seu Jorge, Simoninha... Do pagode ao sambalanço!

Para fechar esse texto, nada melhor que uma homenagem a Zé Kéti:

A voz do morro

Eu sou o samba
A voz do morro
sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo
que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui
do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações
brasileiros
Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo
é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz
Eu sou o samba
A voz do morro
sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo
que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui
do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações
brasileiros

PS1: Falei de vários grupos de samba e não falei do Nando do Cavaco e Sambista a Bordo, onde meu amor toca. Quem quiser conhecer, visite a feijoada com roda de samba do Antiqua Sapore (Rua Gomes Freire, 217), todo primeiro sábado do mês a partir das 13h.

PS2: A foto desse post é do Jacob do Bandolim!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pombo Correio


Quem acha que pombo correio está fora de moda, deve ler a noticia do G1:
“A polícia de Sorocaba, a 99 km de São Paulo, interceptou na semana passada dois pombos-correio que levavam aparelhos celulares para dentro da Penitenciária Danilo Pinheiro. As aves foram encontradas nas proximidades do presídio. Elas não chegaram a entrar no local com os equipamentos.”

Confesso que essa notícia me espantou não somente pela criatividade dos presos, mas também porque eu achava que pombo correio era coisa de filme ou de um passado distante.
Uma pesquisa no google me mostrou que se vende pombos correio ainda hoje, e os pombos são usados com essa finalidade porque geralmente voltam para o ninho mesmo após percorrer longas distâncias...

Algumas curiosidades:

•O pombo-correio é fruto de cruzamentos entre raças belgas e inglesas, efetuados na segunda metade do século XIX.
•Chega a percorrer 700 a 1.000 km/dia, a mais de 90 km/hora e tem grande resistência à fadiga

Alceu Valença cantou assim:

Pombo Correio

Pombo correio voa depressa
E essa carta leva para o meu amor
Leva no bico que eu aqui fico esperando
Pela reposta que é pra saber
Se ela ainda gosta de mim
Pombo correio se acaso um desencontro
Acontecer não perca nem um só segundo
Voar o mundo se preciso for
O mundo voa mas me traga uma notícia boa
Pombo correio voa ligeiro
Meu mensageiro e esta mensagem de amor
Leva no bico que eu aqui fico cantando
Que é pra espantar essa tristeza
Que a incerteza do amor traz
Pombo correio nesse caso eu lhe conto
Por essas linhas a que ponto quer chegar
Meu coração o que mais gosta
Voltar pra mim seria assim a melhor resposta

E Drummond escreveu:

Pombo-Correio
Carlos Drummond de Andrade


Os garotos da Rua Noel Rosa
onde um talo de samba viça no calçamento,
viram o pombo-correio cansado
confuso
aproximar-se em vôo baixo.


Tão baixo voava: mais raso
que os sonhos municipais de cada um.
Seria o Exército em manobras
ou simplesmente
trazia recados de ai! amor
à namorada do tenente em Aldeia Campista?


E voando e baixando entrançou-se
entre folhas e galhos de fícus:
era um papagaio de papel,
estrelinha presa, suspiro
metade ainda no peito, outra metade
no ar.


Antes que o ferissem,
pois o carinho dos pequenos ainda é mais desastrado
que o dos homens
e o dos homens costuma ser mortal
uma senhora o salva
tomando-o no berço das mãos
e brandamente alisa-lhe
a medrosa plumagem azulcinza
cinza de fundos neutros de Mondrian
azul de abril pensando maio.


3235-58-Brasil
dizia o anel na perninha direita.
Mensagem não havia nenhuma
ou a perdera o mensageiro
como se perdem os maiores segredos de Estado
que graças a isto se tornam invioláveis,
ou o grito de paixão abafado
pela buzina dos ônibus.
Como o correio (às vezes) esquece cartas
teria o pombo esquecido
a razão de seu vôo?


Ou sua razão seria apenas voar
baixinho sem mensagem como a gente
vai todos os dias à cidade
e somente algum minuto em cada vida
se sente repleto de eternidade, ansioso
por transmitir a outros sua fortuna?


Era um pombo assustado
perdido
e há perguntas na Rua Noel Rosa
e em toda parte sem resposta.


Pelo quê a senhora o confiou
ao senhor Manuel Duarte, que passava
para ser devolvido com urgência
ao destino dos pombos militares
que não é um destino.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Kopenhagen


Hoje resolvi ir à Kopenhagen para comprar algumas coisinhas para a Páscoa. Trata-se de uma tradição familiar: minha mãe sempre me dava ovinhos (daqueles pequeninos) da Kopenhagen e eu amava. Diferente dos outros do mesmo tamanho, os da Kopenhagen não são ocos, o que os torna ainda mais maravilhosos. Minha mãe costumava escondê-los pela casa e, quando eu acordava, começava logo a caça aos ovinhos perdidos. Achava e comia, achava e comia, até que não agüentava mais comer chocolates e começava a guardar todos para ficar olhando as cores diferentes dos papéis laminados e comer mais tarde. Bons tempos... Cheguei eu toda empolgada na Kopenhagen e, de cara, pedi um capuccino. Se alguém não conhece o capuccino da Kopenhagen, recomendo que vá até lá correndo e peça um. Uma dica: vá à loja do Botafogo Praia ou do RB1 e peça caprichado. O que vcs vão receber é uma xícara com chocolate raspado da casa até a boca, uma gota de café e outra de leite. É um sacrilégio! Mas em nenhuma outra loja (e olha que já tentei em várias) o chocolate é tão bem servido quanto nessas duas. Voltando: pedi meu capuccino, me deliciei e pedi 5 (apenas 5) ovinhos pra eu matar a saudade e manter a tradição. O peso foi 56 gramas. O valor? R$8,95!!!!!! Comprei mais um mini ovo de chumbinho pra minha filha, um colehinho (inho mesmo) e uma barrinha – também em proporções bem reduzidas. Total, somando o café, R$32,00. Definitivamente, é hora de quebrar a tradição...

quarta-feira, 25 de março de 2009

São Paulo


Uma amiga comentou comigo que sempre que vai a SP lembra de uma fala de um filme do Domingos Oliveira que diz que carioca quando vai para SP fica em depressão e acaba fazendo besteira. Eu devo ser uma carioca atípica então, pois adoro ir a SP. Não conheço Nova Iorque, mas identifico SP com as descrições normalmente relatadas de NY: a cidade não para, e eu acho lindo passar altas horas pela Av. Paulista e ver tanta vida. Além disso, as grandes programações culturais estão em SP: as maiores livrarias, peças de teatro, shows, exposições. Passei pela livraria Cultura e fiquei boquiaberta. Aqui no Rio sou fã da Livraria da Travessa, com suas estantes de madeira escura. Quando me deparei com a Cultura do Shopping Bourbon, cai dura. Que ambiente mais lindo, aconchegante, com aquelas estantes clarinhas, aquela iluminação convidativa (totalmente diferente das lâmpadas frias da Saraiva), o café espaçoso do Viena no fundo. Sem falar na enorme variedade de livros, cds e dvds, fiquei doida...

Voltando a SP, também adoro fazer compras por lá. O bairro do Bom Retiro é um paraíso de consumo de roupas femininas e as lojas de sapatos, que eu já mencionei antes, são meu fetiche. E claro que tem os restaurantes. Comer em SP é tudo de bom. Eu só fico deprimida em SP quando não tenho tempo de aproveitar nada disso, se bem que só de andar de taxi por lá já me satisfaço olhando a cidade passar pela janela, aquela gente toda, aqueles muros grafitados, os túneis diferentes (adoro os túneis), a velocidade, os prédios e carros chiques...

Só fico tensa mesmo é no aeroporto, rezando pra dar tudo certo. Mas depois de decolar, vem a tam com mais um picolé... E opior foi o discurso: como moramos em um país tropical a tam traz mais uma novidade, e blábláblá... eu chamo isso de redução de custos, eles de novidade. Ok, estou de volta ao Rio!

terça-feira, 24 de março de 2009

Picolé & Omelete

Ontem tive que vir para Sampa e peguei um vôo da TAM. Em geral prefiro a modernidade da Gol, mas o que me consola é que não vou ganhar barra de cereal e ainda tem balinha na Tam.
Embarque finalizado, portas em automático, balinhas servidas, informações sobre segurança, vôo autorizado, lá fomos nós. Eu peguei logo um livro e enfiei a cara nele. Nem ouvi quando anunciaram o serviço de bordo, tão concentrada que estava no livro. Quando a comissária me ofereceu o “lanche” não acreditei. De fato não era barrinha de cereal, mas era... um picolé! E os passageiros ainda podiam escolher entre sabores variados: morango ou tangerina. Gente, que coisa mais inesperada! E eu nem gosto de sorvete (antes que me perguntem por que, eu explico: é gelado; se fosse quente eu gostava). Acabei me rendendo e pegando um picolé de morango, porque pelo menos tinha só 59 calorias.
Ao chegar em SP, para fechar a noite, peguei um táxi no aeroporto para ir para o meu hotel. Já pensava em não sair do hotel nem pra comer mesmo, sonhava com um omelete no quarto depois de um banho quente. O taxista resolve ligar o radio no meio do meu devaneio com omelete de queijo: música sertaneja, daquelas que parece que o cantor está cantando direto do vaso no meio de uma mega dor de barriga, sabe? Afe... Eu pensei: relaxa, não vai demorar muito, a temperatura está boa e daqui a pouco você toma seu banho e come seu omelete... Enfim, depois de muitas músicas desse tipo, cheguei ao hotel. O omelete desejado estava divino, de queijo com cogumelos. Simplesmente perfeito. Nem tudo estava perdido!!!